Na mais recente sessão da Câmara Municipal de Pato Branco, um tema central gerou amplo debate entre os vereadores: a votação do regime de urgência para projetos que somam investimentos de até R$ 70 milhões. A proposta, que permitiria uma tramitação acelerada dos projetos, foi alvo de críticas e ponderações por parte de alguns parlamentares.
Vereador Alexandre Zoche Questiona Pressa na Tramitação
O vereador Alexandre Zoche iniciou sua fala esclarecendo um ponto importante: a votação em questão não era sobre o mérito dos projetos, mas sim sobre o regime de urgência. Segundo ele, essa distinção precisava ficar clara para evitar interpretações equivocadas futuras, como votos sendo interpretados como favoráveis ou contrários aos projetos em si. Zoche destacou que o primeiro projeto em análise envolvia cifras expressivas — R$ 70 milhões — e, por isso, exigia cuidado redobrado. Confessando não possuir conhecimento técnico profundo sobre os temas abordados, o vereador demonstrou preocupação com a legalidade e a viabilidade de aprovar os projetos em caráter de urgência. Ele questionou se todos os projetos estariam, de fato, prontos para serem licitados e mencionou incertezas quanto às contrapartidas, que poderiam variar entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.
Além disso, Zoche expressou dúvidas sobre o formato de financiamento proposto. Segundo ele, seria prudente avaliar outras possibilidades, como financiamentos com juros mais baixos, para evitar a necessidade de refinanciamentos futuros que poderiam comprometer a saúde financeira do município. Para ele, a aprovação apressada poderia representar tanto uma oportunidade de desenvolvimento quanto um risco significativo para o futuro de Pato Branco.
Resposta do Plenário: Transparência e Planejamento
Em seguida, o líder de governo, vereador Fabrício Preis de Mello respondeu às ponderações de Zoche, inicialmente parabenizando-o pela manifestação. Ele reforçou a importância de cada vereador ter seu posicionamento, mas defendeu o regime de urgência como uma ferramenta legítima para acelerar trâmites administrativos, especialmente em casos de planejamento estruturado e técnico. O parlamentar lembrou que os valores apresentados não foram arbitrários, mas fruto de estudos técnicos da contabilidade da Prefeitura e de servidores qualificados. Os projetos, segundo ele, fazem parte de um planejamento urbano mais amplo que deveria ter sido iniciado anos atrás. Ele citou ainda que o financiamento de R$ 9 milhões mencionado por Zoche remonta a 2017, ainda durante a gestão de Agostinho Zucchi, e reiterou a necessidade de dar andamento a projetos aguardados pela população — como o Restaurante Popular, o teatro municipal e a Baixada Industrial.
Compromisso com a Transparência e Resultado da Votação
O vereador também se comprometeu, junto à vereadora Anne e demais membros da comissão, a apresentar os números detalhadamente no plenário, reforçando o compromisso com a transparência e o debate amplo. Ao final da discussão, foi realizada a votação do regime de urgência. O resultado ficou empatado, com cinco votos favoráveis e cinco contrários. Coube então ao presidente da Câmara o voto de minerva, que decidiu contra a adoção do regime de urgência. Assim, a solicitação foi rejeitada por seis votos a cinco. Com isso, o projeto seguirá os trâmites normais previstos pelo processo legislativo, permitindo análise mais detalhada e tempo maior para deliberação por parte dos vereadores.
Conclusão
O episódio evidencia a importância do equilíbrio entre agilidade administrativa e responsabilidade legislativa. Enquanto alguns vereadores defendem a urgência como forma de acelerar o desenvolvimento da cidade, outros alertam para os riscos de decisões apressadas sem a devida maturação técnica e financeira. A decisão de seguir com a tramitação ordinária reflete a escolha por um caminho mais cauteloso e transparente.

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