O beach tennis e o futvôlei vivem um dos momentos mais expressivos no país. Desde 2021, o número de praticantes das modalidades aumentou em mais de 200%, conforme dados da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e da Confederação Brasileira de Futevôlei (CBFv). A popularização dos esportes, no entanto, vem acompanhada de um dado preocupante: o avanço das lesões ortopédicas entre atletas amadores e frequentes.
Levantamento publicado em agosto no Brazilian Journal of Health Review indica que 50% dos praticantes de beach tennis avaliados já apresentaram algum tipo de lesão, principalmente em articulações e tendões. O estudo acompanhou mais de 1.200 atletas e identificou as tendinopatias como os quadros mais recorrentes. Entre as regiões mais afetadas estão o cotovelo (25,4%) e o ombro (20,9%). Também foram registradas lesões nos joelhos (16,4%) e entorses nos tornozelos, especialmente em jogadores com maior carga semanal de treinos. De acordo com a pesquisa, quem pratica mais de 10 horas por semana têm risco três vezes maior de se machucar em comparação aos que jogam menos.
Para o médico ortopedista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dr. Fabio Cavali, o fato do esporte ser disputado na areia não elimina os perigos.
“Apesar de parecer uma superfície de menor impacto, a areia é irregular e favorece mecanismos de entorse. Além disso, muitas pessoas iniciam a prática sem preparo físico adequado, o que aumenta significativamente o risco de lesões”, explica o Dr. Fabio. Segundo o ortopedista e docente da Afya, os membros inferiores concentram boa parte das ocorrências. “Entorses, tendinites e lesões musculares são comuns porque o esporte exige arrancadas curtas, saltos e mudanças rápidas de direção, o que sobrecarrega tornozelos, joelhos e a musculatura das pernas”, afirma o Dr. Fabio.
Prevenção é aliada do desempenho
O médico ortopedista reforça que é possível reduzir os riscos com medidas simples. O fortalecimento muscular, sobretudo de pernas, ombros e core (abdômen e lombar), contribui para maior estabilidade e proteção das articulações. “O aquecimento prévio, com cinco a dez minutos de exercícios de mobilidade, também é apontado como essencial para preparar o corpo para os movimentos intensos das modalidades. Outro ponto de atenção é a carga de treino: a progressão deve ser gradual, respeitando períodos de descanso”, acrescenta o médico e docente da Afya de Pato Branco.
A avaliação médica antes de iniciar a prática é recomendada, especialmente para identificar possíveis condições cardiovasculares e prevenir eventos graves, como mal súbito e infarto. O uso de equipamentos adequados — como raquetes apropriadas, óculos de proteção, roupas leves e hidratação constante — completa o conjunto de cuidados. “Com o aumento do número de adeptos, é natural que as lesões também cresçam. Mas, com orientação profissional e acompanhamento adequado, é possível reduzir drasticamente os riscos e ainda melhorar a performance”, conclui o ortopedista e docente da Afya, Dr. Fabio.

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