Durante participação em sessão legislativa, o advogado Ronilson Vicensi apresentou um panorama detalhado sobre a negociação coletiva dos trabalhadores do SAMU/CIRUSPAR e fez um alerta contundente sobre a situação da saúde pública regional. Segundo ele, o sistema enfrenta sobrecarga extrema, adoecimento crescente de profissionais e dificuldades financeiras que ameaçam a continuidade dos serviços. A manifestação abordou a realidade enfrentada por cerca de 150 trabalhadores da área da saúde vinculados ao CIRUSPAR, incluindo rádio-operadores, auxiliares administrativos, serviços gerais, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Trabalhadores atendem toda a região sudoeste
Conforme explicado pelo representante sindical, os profissionais representados atuam não apenas em Pato Branco, mas também nos municípios de Coronel Vivida, Chopinzinho, Mangueirinha, Palmas e Clevelândia, abrangendo toda a área da 7ª Regional de Saúde. Já os trabalhadores vinculados à 8ª Regional são representados pelo sindicato de Francisco Beltrão. Além dessas categorias, o sistema também conta com os condutores socorristas, representados pelo sindicato dos motoristas, organizado regionalmente entre os municípios de Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, além dos médicos que atuam no serviço.
Estado de greve já foi decretado pelos médicos
Durante a apresentação, foi mencionado que o Sindicato dos Médicos já deliberou estado de greve a partir do dia 9. Segundo o advogado, a decisão prevê a manutenção do atendimento à população, porém com paralisação das atividades administrativas. A possibilidade de greve amplia a preocupação sobre a capacidade operacional do sistema regional de urgência e emergência.
Saúde pública vive situação crítica, afirma representante sindical
Antes de detalhar as reivindicações da negociação coletiva, o advogado destacou que a saúde pública atravessa um cenário considerado crítico.
Segundo ele, os profissionais convivem diariamente com:
- sobrecarga física e emocional;
- adoecimento crescente;
- afastamentos frequentes;
- desmotivação;
- jornadas intensas;
- pressão constante nos atendimentos.
Ele afirmou que muitos profissionais estão deixando o sistema por não suportarem mais as condições atuais de trabalho. O problema, segundo relatou, não atinge apenas o SAMU/CIRUSPAR, mas também hospitais da região. O representante sindical classificou o momento como um risco iminente de “apagão na saúde pública”.
Técnicos de enfermagem lideram acidentes de trabalho
Ao apresentar dados nacionais, o advogado informou que o Brasil registrou, apenas em 2025, cerca de 806 mil acidentes de trabalho, segundo números do Ministério do Trabalho. Ainda conforme os dados apresentados:
- mais de 3 mil mortes foram registradas;
- os números não incluem trabalhadores sem carteira assinada ou contratos PJ;
- os técnicos de enfermagem aparecem entre as categorias com maior incidência de acidentes.
Segundo ele, justamente os profissionais da linha de frente são os mais expostos aos riscos diários.
Saúde mental preocupa sindicatos e profissionais
Outro ponto destacado foi o crescimento dos afastamentos por problemas de saúde mental.O advogado afirmou que a enfermagem está entre as profissões com maior índice de afastamento psicológico, reflexo do desgaste emocional constante, da pressão operacional e das condições estruturais do sistema.Para ele, o problema não pode mais ser tratado como uma situação isolada, mas sim como um esgotamento estrutural da saúde pública.
Rotina do SAMU é marcada por pressão constante e alto risco
Durante o discurso, o representante sindical enfatizou que os trabalhadores do SAMU atuam em um serviço essencial, funcionando 24 horas por dia. Ele lembrou que os profissionais permanecem em atividade enquanto a população dorme e enfrentam diariamente:
- acidentes graves;
- situações de emergência;
- riscos físicos;
- exposição biológica;
- desgaste emocional;
- responsabilidade direta sobre vidas humanas.
Segundo ele, os profissionais do SAMU são os primeiros a chegar quando ocorre um acidente ou uma situação crítica, o que aumenta ainda mais a pressão sobre cada plantão.
Municípios sustentam maior parte do financiamento do CIRUSPAR
Dados apresentados pelo próprio CIRUSPAR apontam que o financiamento atual do sistema é dividido da seguinte forma:
- 57,4% custeados pelos municípios;
- 26,5% pela União;
- 16,1% pelo Governo do Estado.
A composição financeira foi citada durante as negociações coletivas, especialmente diante das alegações de limitação orçamentária.
Quase todo orçamento é destinado à folha de pagamento
Outro dado apresentado durante a explanação mostra que:
- 88% do orçamento do CIRUSPAR é destinado a custos com pessoal;
- 11% são utilizados para manutenção;
- apenas 1% vai para investimentos.
O advogado criticou o baixo percentual destinado à estrutura física e melhorias das bases operacionais. Segundo ele, várias unidades enfrentam problemas estruturais e oferecem condições inadequadas para trabalhadores que permanecem em plantões de 12 horas.
Déficit financeiro agrava cenário
Conforme os dados mencionados na apresentação, o CIRUSPAR registrou no último ano um déficit próximo de R$ 1 milhão. Apesar disso, o representante sindical argumentou que, além do limite orçamentário, existe também um “limite humano”, relacionado ao desgaste extremo dos profissionais que permanecem na linha de frente. Ele defendeu que a sociedade, os legislativos municipais, assembleias estaduais e o Congresso Nacional debatam urgentemente a valorização dos trabalhadores da saúde.
Falta de profissionais já preocupa o setor
Durante o pronunciamento, foi destacado que a escassez de profissionais da saúde já é uma realidade em diversas regiões. O advogado comparou o cenário brasileiro com países da Europa e os Estados Unidos, que enfrentam déficit de trabalhadores da área médica e hospitalar. Segundo ele, cada vez menos pessoas demonstram interesse em seguir carreiras técnicas da enfermagem e da saúde devido às condições de trabalho e baixa valorização.
Salário-base de técnico socorrista é de R$ 2,2 mil
Ao detalhar a pauta salarial da negociação coletiva, o advogado apresentou os valores pagos atualmente pelo CIRUSPAR aos técnicos de enfermagem socorristas — categoria que representa a maior parte dos trabalhadores do serviço.
Segundo os dados apresentados:
- salário-base: R$ 2.284,24;
- insalubridade: R$ 313;
- auxílio-alimentação: R$ 391;
- adicional por tempo de serviço: R$ 275;
- prêmio de pontualidade condicionado a diversas regras internas.
O adicional por tempo de serviço citado refere-se a profissionais que atuam desde a fundação do SAMU, em 2012.
Sindicato cobra aumento da insalubridade
Entre as reivindicações apresentadas está a ampliação do adicional de insalubridade de 20% para 40%.O advogado argumentou que muitos profissionais realizam transferências de pacientes em UTIs, inclusive casos com doenças infectocontagiosas, exposição a bactérias resistentes e outros riscos biológicos severos. Segundo ele, trabalhadores permanecem durante horas ao lado de pacientes em situação crítica, sujeitos à contaminação, recebendo pouco mais de R$ 300 de adicional.Também foi lembrado que o sindicato possui ação judicial relacionada ao pagamento de insalubridade de 40% durante o período da pandemia.
Profissionais cobram valorização real
Na reta final da apresentação, o representante sindical afirmou que a categoria reivindica ganho real acima da inflação. Segundo ele, a proposta atual apresentada pelo CIRUSPAR prevê apenas a reposição do INPC de 3,36%.
O sindicato, porém, defende:
- reajuste salarial acima da inflação;
- valorização efetiva dos profissionais;
- melhoria no auxílio-alimentação;
- melhores condições de trabalho;
- reconhecimento da importância do serviço prestado.
O advogado também destacou dificuldades enfrentadas durante os plantões de 12 horas, afirmando que muitos trabalhadores permanecem integralmente dentro das bases devido à dinâmica dos atendimentos de urgência e emergência.
Trabalhadores do SAMU/CIRUSPAR cobram valorização, manutenção de direitos e melhores condições de trabalho
Outro ponto destacado durante a negociação coletiva envolve a questão das pausas e da alimentação dos profissionais. Segundo os representantes dos trabalhadores, houve uma negociação mediada inclusive pelo Ministério Público do Trabalho relacionada ao período em que os profissionais deveriam estar em descanso, mas permanecem dentro da base devido à alta demanda de atendimentos. Conforme relatado, o serviço não para em nenhum momento. Os telefones seguem tocando e os acidentes continuam acontecendo, o que impede muitos trabalhadores de usufruírem efetivamente dos períodos de folga previstos. Diante dessa realidade, foi acordada uma indenização referente a esse tempo em que o profissional permanece à disposição dentro da unidade.
Alimentação precária preocupa trabalhadores
Apesar disso, os trabalhadores afirmam que o valor destinado à alimentação continua sendo insuficiente. O benefício, considerado pequeno pelos profissionais, precisa cobrir toda a alimentação durante o período de trabalho. Na prática, muitos acabam precisando levar comida de casa ou preparar os próprios alimentos nas bases. Porém, uma nova preocupação vem surgindo: diversas unidades estão retirando os fogões utilizados pelos funcionários para aquecer ou preparar refeições. Em Pato Branco, por exemplo, segundo os relatos apresentados durante a discussão, já não há fogão disponível para os trabalhadores utilizarem durante o plantão. A situação tem gerado indignação, especialmente diante das longas jornadas enfrentadas pelas equipes do atendimento móvel de urgência.
Categoria rejeita proposta e pede avanço nos direitos
Os representantes dos trabalhadores afirmaram que a categoria busca a manutenção das cláusulas da convenção coletiva anterior, preservando direitos conquistados ao longo de vários anos. Segundo eles, a proposta apresentada não representa avanço. Pelo contrário, há o entendimento de que os trabalhadores não podem aceitar retrocessos em questões consideradas essenciais. Durante a assembleia e as discussões internas, a categoria teria rejeitado a proposta envolvendo o vale-alimentação de R$ 13,36 por dia e o reajuste de R$ 500 apresentados na negociação. O posicionamento dos profissionais foi de que é necessário avançar em valorização salarial e estrutural.
Mudança na escala 12×60 gera apreensão
Outro tema que aumentou a tensão nas negociações foi a possibilidade de alteração da escala de trabalho 12×60. Segundo os representantes sindicais, há informações de que o CIRUSPAR pretende implementar mudanças na jornada a partir de 1º de junho, passando para escalas de seis horas. A medida preocupa os trabalhadores, principalmente porque muitos profissionais da saúde mantêm outros vínculos empregatícios para complementar a renda, realidade comum no setor devido aos baixos salários. Os representantes destacaram que a escala 12×60 é utilizada desde 2012 e faz parte da organização de vida e trabalho dos profissionais. Agora, a categoria realiza levantamentos e prepara novos questionamentos diante da possível mudança.
Principais reivindicações da categoria
Entre os principais pontos defendidos pelos trabalhadores do SAMU/CIRUSPAR estão:
- Reajuste salarial;
- Manutenção das cláusulas da convenção coletiva anterior;
- Respeito à saúde física e mental dos profissionais;
- Alimentação digna durante os plantões;
- Manutenção da escala 12×60;
- Valorização dos trabalhadores que mantêm o serviço funcionando.
Além das pautas trabalhistas, os representantes também pediram apoio político de vereadores e deputados para fortalecer a estrutura do serviço.
Estrutura das bases também é alvo de críticas
Durante a fala, foram citados diversos problemas estruturais enfrentados nas bases do SAMU na região sudoeste do Paraná. Um dos exemplos mencionados foi a base de Palmas, que anteriormente sofria com alagamentos sempre que chovia. Atualmente, a unidade funciona provisoriamente em uma UPA. Também foram relatados problemas em Francisco Beltrão e em outras cidades, incluindo situações de banheiros interditados e condições inadequadas para permanência dos profissionais durante os plantões.
Os trabalhadores defendem melhorias urgentes na infraestrutura das bases, argumentando que a qualidade de vida dos profissionais impacta diretamente na qualidade do atendimento prestado à população. Ao final da manifestação, foi reforçado o apelo por condições mínimas de dignidade para os trabalhadores do serviço de urgência e emergência. “Imaginem, não tem uma situação para fazer um alimento”, concluiu um dos representantes durante a discussão.

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