A equipe da Patrulha Maria da Penha do 3º Batalhão da Polícia Militar tem intensificado o atendimento às vítimas de violência doméstica e familiar, combinando acompanhamento individualizado, fiscalização de medidas protetivas e ações preventivas em diversos municípios da região. Além disso, a corporação lançará na próxima semana um projeto piloto de patrulhamento itinerante para aproximar os serviços da população.
Segundo a cabo Ana Carla, integrante da Patrulha Maria da Penha, o trabalho realizado pela equipe vai além da fiscalização das medidas protetivas. O atendimento busca identificar as necessidades específicas de cada vítima, encaminhando-a para serviços adequados. “Identificamos qual é a demanda da vítima, se ela precisa de atendimento psicológico, se possui dependência financeira do autor da violência ou se está enfrentando o descumprimento de uma medida protetiva. Fazemos esse acompanhamento e, quando necessário, entramos em contato também com o autor”, explicou.
De acordo com a policial, muitos casos de descumprimento acontecem porque o agressor não compreende integralmente as restrições impostas pela medida protetiva. Somente em 2026, a Patrulha Maria da Penha já realizou mais de 500 atendimentos individualizados, contando também com o apoio das equipes de Rádio Patrulha Auto (RPA) dos municípios que integram a área de atuação do 3º Batalhão. Além do acompanhamento direto às vítimas, a equipe desenvolve palestras voltadas a idosos, mulheres, homens, crianças e adolescentes, além de participar de estudos sobre casos de feminicídio registrados na região, fortalecendo as ações preventivas de combate à violência doméstica.
Fiscalização resulta em prisões por descumprimento de medidas protetivas
A cabo Ana Carla destacou que a proximidade com as vítimas permite uma resposta rápida diante de situações de risco. A Patrulha Maria da Penha mantém um canal direto de comunicação por WhatsApp, utilizado para orientações e esclarecimentos. O canal não substitui o atendimento emergencial, que deve ser realizado pelo telefone 190, mas serve para que as vítimas relatem dificuldades, tirem dúvidas e recebam acompanhamento contínuo. Segundo a policial, já houve situações em que a equipe encontrou autores de violência descumprindo medidas protetivas durante as fiscalizações. “Já tivemos casos em que, ao fiscalizar a medida protetiva, encontramos o autor na residência da vítima e realizamos sua condução à delegacia para prisão em flagrante”, relatou.
Projeto itinerante busca ampliar o acesso à informação
O comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Anderson Marcelo Figueiredo, explicou que a patrulha itinerante foi criada para aproximar os serviços da comunidade e alcançar vítimas que, muitas vezes, não conseguem participar de palestras ou desconhecem os mecanismos de proteção disponíveis. Segundo ele, a iniciativa surgiu após discussões entre o comando da 1ª Companhia e o comando do batalão, com o objetivo de levar informações diretamente aos bairros e comunidades. “Queremos que as pessoas saibam como podem ser atendidas em situações de violência doméstica e conheçam os serviços disponíveis para proteção e acolhimento”, afirmou.
Inicialmente, o projeto será desenvolvido em todos os bairros de Pato Branco e também atenderá municípios pertencentes à área da 1ª Companhia do 3º Batalhão, como Vitorino, Bom Sucesso do Sul e Itapejara d’Oeste.
Rede de apoio é fundamental para acolhimento das vítimas
O comandante da 1ª Companhia, 1º tenente Jorge Leandro de Lima Drumond, destacou que a Patrulha Maria da Penha tem fortalecido parcerias com instituições públicas e privadas para ampliar a rede de apoio às vítimas. Segundo ele, apesar dos avanços, os casos de violência doméstica ainda são subnotificados, e muitas ocorrências não chegam ao conhecimento das autoridades. “A ideia de levar a equipe para outros locais é justamente fazer uma busca ativa dessas ocorrências e proporcionar mais oportunidades para que as denúncias sejam feitas”, afirmou. A rede de apoio conta com a participação de universidades, que oferecem assessoria jurídica e atendimento psicológico, além da Secretaria da Mulher, da Delegacia da Mulher de Pato Branco e de diversos órgãos públicos e privados que atuam no acolhimento das vítimas.
Orientação, acolhimento e privacidade
De acordo com o comandante, muitas mulheres deixam de denunciar por receio das mudanças que a denúncia pode provocar em sua estrutura familiar e financeira. Por isso, o atendimento itinerante foi planejado para oferecer orientação e acolhimento em um ambiente seguro. Durante as ações serão distribuídas cartilhas destinadas a homens e mulheres, contendo orientações sobre violência doméstica, canais de atendimento, QR Codes para acesso a informações e esclarecimentos sobre os serviços disponíveis. A estrutura móvel também permitirá atendimento reservado, garantindo privacidade às vítimas que desejarem conversar com a equipe policial. “Temos uma policial feminina que poderá realizar esse atendimento com mais tranquilidade e discrição dentro do módulo”, explicou o comandante.
Cronograma da operação piloto
A primeira etapa do projeto será realizada durante uma semana, sempre no período da manhã, das 9h às 12h30, incluindo o horário de almoço para facilitar o acesso das pessoas que trabalham durante o dia.
O cronograma definido é o seguinte:
- Segunda-feira: Praça Getúlio Vargas, em Pato Branco;
- Terça-feira: Praça Central de Vitorino;
- Quarta-feira: região Sul de Pato Branco, próxima ao CEU das Artes;
- Quinta-feira: Praça Central de Itapejara d’Oeste;
- Sexta-feira: Bom Sucesso do Sul.
Comunidade é convidada a participar
Como se trata de um projeto piloto, a Polícia Militar pretende avaliar os resultados, identificar dificuldades e aprimorar as futuras operações. A corporação também convida representantes de bairros, comunidades do interior, órgãos municipais e profissionais que atuam na temática da violência doméstica a participarem das atividades e contribuírem com informações que auxiliem no planejamento de novas ações. A orientação é que moradores e lideranças comunitárias comuniquem situações que demandem atenção especial, permitindo que futuras operações sejam direcionadas para localidades onde haja necessidade de ampliar o acesso à informação, ao acolhimento e aos canais de denúncia.

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