Cobertura vacinal apresenta desafios no primeiro quadrimestre de 2026 em Pato Branco

O município de Pato Branco encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com sinais de alerta em relação à cobertura vacinal infantil. Embora tenha registrado aumento no número total de doses aplicadas, os indicadores mostram que parte significativa das metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações ainda não foi alcançada, elevando o risco de reintrodução de doenças imunopreveníveis. De acordo com o boletim da Vigilância Epidemiológica e do Setor de Imunização, apenas 8 das 21 vacinas avaliadas atingiram a cobertura vacinal preconizada no período. A situação ocorre mesmo diante de esforços contínuos das equipes de saúde para ampliar o acesso à vacinação e manter ações de busca ativa de faltosos.

Entre os fatores que contribuíram para os resultados abaixo do esperado estão as instabilidades registradas na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) durante o mês de abril. O problema ocasionou atraso na exportação dos registros das doses aplicadas, impactando diretamente os indicadores oficiais de cobertura vacinal. Além disso, foram identificados atrasos na digitação de vacinas aplicadas ainda no ambiente hospitalar, especialmente BCG e Hepatite B administrada em recém-nascidos com menos de 30 dias de vida.

Outro aspecto preocupante refere-se ao número de crianças com vacinação atrasada. Relatórios extraídos do sistema eletrônico de prontuários demonstram um contingente expressivo de menores com esquemas vacinais incompletos, situação que aumenta a vulnerabilidade da população e favorece a circulação de doenças preveníveis por vacinação.

A cobertura vacinal em menores de um ano alcançou 100,39% em Pato Branco, índice superior ao observado no Paraná (91,47%) e no Brasil (82,97%). Apesar do resultado positivo, a análise da homogeneidade das coberturas revela uma realidade menos favorável. O município apresentou homogeneidade de 62,5%, classificação considerada de alto risco para a transmissão de doenças imunopreveníveis. Esse indicador avalia se todas as vacinas do calendário infantil estão atingindo as metas estabelecidas, demonstrando que ainda existem importantes lacunas na proteção da população.

A vacina contra a Febre Amarela merece atenção especial. Segundo o boletim, sua aplicação ocorre mediante agendamento devido à apresentação em frascos multidose. Embora a estratégia seja necessária para evitar desperdícios, ela pode acabar contribuindo para atrasos na vacinação e, consequentemente, para coberturas abaixo do recomendado. No campo das ações intersetoriais, 41 crianças com vacinação em atraso foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. Desses casos, 28 estavam relacionados à vacina contra a Covid-19 e 13 a outras vacinas de rotina. Até o momento, nove encaminhamentos retornaram para acompanhamento, resultando na atualização da situação vacinal de sete crianças após ações de busca ativa.

A qualidade dos registros também aparece como um desafio. Somente nos quatro primeiros meses do ano foram identificados 112 erros de registro. Esses problemas incluem informações incompletas ou incorretas que podem comprometer a avaliação real da cobertura vacinal. A coordenação municipal de imunização realiza auditorias mensais para identificar e corrigir inconsistências, além de promover orientações contínuas às equipes de vacinação.

As taxas de abandono vacinal apresentaram comportamentos atípicos. Algumas vacinas, como Pentavalente, Pneumocócica 10-valente, VIP e Rotavírus, registraram taxas negativas. Esse fenômeno ocorre quando o número de doses finais aplicadas supera o número de doses iniciais registradas no mesmo período, situação geralmente associada a falhas nos registros, migração de usuários entre municípios ou atraso na inserção de dados no sistema.

A campanha de vacinação contra a Influenza também registrou cobertura abaixo da meta. Iniciada em 28 de março de 2026, a campanha alcançou 44,84% de cobertura entre os grupos prioritários — idosos, gestantes e crianças de seis meses a menores de seis anos —, muito distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Para reverter esse cenário, a Vigilância Epidemiológica recomenda intensificar as ações de vacinação nas escolas, ampliar a divulgação das campanhas e fortalecer as estratégias de busca ativa.

Apesar das dificuldades observadas nos indicadores de cobertura, o município registrou crescimento no número de doses aplicadas. Entre janeiro e abril de 2026 foram administradas 28.758 doses de vacinas, representando aumento de 1.628 aplicações em comparação ao mesmo período de 2025. O avanço pode estar relacionado ao início antecipado da campanha de vacinação contra a Influenza neste ano.

A Sala Central de Vacinação concentrou a maior parte dos atendimentos, com média aproximada de 141 doses aplicadas por dia útil. Na sequência aparecem as unidades Pinheirinho, com média de 22 doses diárias, e Novo Horizonte, com cerca de 20 aplicações por dia. Segundo análise baseada em parâmetros do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), o fluxo de atendimento das salas de vacina permanece compatível com a capacidade operacional das equipes.

O boletim também destaca a importância da segurança na imunização. Até o momento foram registrados 18 erros de imunização em 2026. Entre os principais problemas identificados estão aplicação em idade inadequada, administração de vacina incorreta, intervalos inadequados entre doses e exposição inadvertida a imunobiológicos. As autoridades de saúde reforçam a necessidade de conferência rigorosa antes da vacinação para garantir a segurança dos pacientes e a qualidade dos serviços prestados.

Diante desse cenário, a Vigilância Epidemiológica recomenda intensificar a atualização cadastral dos usuários, fortalecer a busca ativa de faltosos, ampliar a educação em saúde sobre a importância das vacinas e manter o acompanhamento sistemático das pendências vacinais. O objetivo é recuperar as coberturas vacinais e reduzir o risco de reintrodução de doenças já controladas ou eliminadas.

RSS
Follow by Email
YouTube
YouTube