Hemonúcleo de Pato Branco destaca ciclo do sangue, importância da doação e apresenta balanço do primeiro semestre

Junho Vermelho reforça conscientização sobre a doação de sangue

Durante apresentação na Câmara Municipal de Pato Branco, a coordenadora do Hemonúcleo de Pato Branco, Silvia Barbosa Pecin Acosta, abordou o funcionamento do serviço de hemoterapia, explicou todas as etapas do ciclo do sangue e apresentou dados referentes às doações e transfusões realizadas no primeiro semestre de 2026. Ao iniciar sua explanação, Silvia destacou a importância da campanha Junho Vermelho, período dedicado à conscientização sobre a doação voluntária de sangue. Segundo ela, o mês representa uma oportunidade de reconhecer os doadores e toda a comunidade que contribui para manter ativa a corrente de solidariedade responsável pelo abastecimento dos estoques de sangue. Antes de apresentar os números do Hemonúcleo, a coordenadora explicou como funciona a unidade instalada em Pato Branco e ressaltou a relevância da participação da população para garantir o atendimento aos pacientes que necessitam de transfusões.

Um banco de sangue que depende exclusivamente da solidariedade

Silvia explicou que o Hemonúcleo de Pato Branco é popularmente conhecido como banco de sangue, mas destacou que se trata de um “banco” diferente dos convencionais. Segundo ela, o serviço não trabalha com recursos financeiros, mas com um insumo que não pode ser fabricado, comprado ou comercializado. Toda a atividade depende exclusivamente da doação voluntária realizada por pessoas dispostas a dedicar alguns minutos do seu tempo para salvar vidas. A coordenadora lembrou que a frase “uma doação pode salvar até quatro vidas” é amplamente utilizada nas campanhas, mas ressaltou que o verdadeiro significado desse gesto torna-se ainda mais evidente quando a necessidade envolve pessoas próximas. Como exemplo, compartilhou uma experiência pessoal. Silvia relatou que seu sobrinho, de apenas um ano de idade, foi diagnosticado com um meduloblastoma cerebral e precisou passar por uma cirurgia para retirada de um tumor. Durante o tratamento, a criança necessitou de diversas transfusões sanguíneas.Segundo ela, quando a necessidade deixa de ser apenas um número e passa a ter um rosto e uma história, a importância da doação torna-se muito mais concreta e emocionante.

Como funciona o Hemonúcleo de Pato Branco

Localizado na Rua Paraná, nas proximidades da rodoviária, o Hemonúcleo de Pato Branco possui sede própria do Governo do Estado do Paraná. Silvia explicou que a estrutura física, os recursos humanos e os insumos utilizados pela unidade são mantidos, em sua maior parte, pela Secretaria de Estado da Saúde. O trabalho desenvolvido pelo Hemonúcleo envolve todas as etapas do ciclo do sangue, desde a conscientização da população até a entrega dos hemocomponentes aos hospitais.

Entre as principais atividades realizadas estão:

  • captação de doadores;
  • triagem clínica;
  • coleta de sangue;
  • processamento das bolsas;
  • armazenamento;
  • distribuição dos hemocomponentes;
  • cumprimento das normas sanitárias e legais que garantem a qualidade e a segurança de todo o processo.

A coordenadora enfatizou que o principal objetivo do serviço é assegurar segurança tanto para quem doa quanto para quem recebe o sangue, seguindo rigorosamente toda a legislação vigente.

Doação deve ser voluntária, altruísta e sem remuneração

Silvia ressaltou que a legislação brasileira estabelece que a doação de sangue deve ser obrigatoriamente voluntária, altruísta e não remunerada. Segundo ela, essa característica representa uma importante conquista para os serviços de hemoterapia, pois fortalece a cultura da solidariedade e da responsabilidade social entre os doadores.

Quem pode doar sangue

Durante a apresentação, a coordenadora explicou os principais critérios exigidos para realizar uma doação de sangue.

O candidato deve:

  • estar em boas condições de saúde;
  • ter entre 16 e 69 anos;
  • pesar mais de 50 quilos;
  • estar alimentado;
  • estar descansado;
  • apresentar documento oficial com foto.

Ao chegar ao Hemonúcleo, o doador é cadastrado nos sistemas informatizados da unidade, onde seus dados são conferidos antes do início da triagem.

Agendamento melhora a organização e a capacidade de atendimento

Silvia destacou que o Hemonúcleo trabalha com sistema de agendamento, considerado fundamental para o planejamento das atividades. Segundo ela, conhecer previamente a quantidade de doadores que comparecerão diariamente permite organizar equipes, equipamentos e insumos, além de oferecer maior qualidade ao atendimento. A coordenadora explicou que, enquanto é possível prever o número de doadores, não há como antecipar a demanda hospitalar. Acidentes de trânsito, cirurgias de urgência e outras intercorrências podem aumentar significativamente a necessidade de sangue de um momento para outro. Por isso, manter estoques adequados é essencial para garantir resposta rápida às solicitações dos hospitais.

Triagem garante segurança para doadores e pacientes

Antes da coleta, todos os candidatos passam por avaliação clínica. Durante essa etapa são verificados sinais vitais e demais critérios técnicos estabelecidos pelos protocolos de segurança, assegurando que a doação possa ser realizada sem riscos para o doador e para o futuro receptor do sangue. Silvia comentou ainda que os próprios profissionais do Hemonúcleo participam frequentemente das campanhas de doação, reforçando o compromisso da equipe com a causa.

Coleta dura cerca de oito minutos

A coordenadora explicou que o procedimento de coleta é rápido, levando aproximadamente oito minutos. Ela destacou que todos os materiais utilizados são estéreis, descartáveis e de uso único, garantindo total segurança durante o procedimento.

Exames laboratoriais são realizados em todas as doações

Além da coleta do sangue, cada bolsa passa por uma série de exames laboratoriais obrigatórios.

São realizados testes para detecção de:

  • HIV;
  • sífilis;
  • doença de Chagas;
  • hepatite B;
  • hepatite C;
  • HTLV;
  • pesquisa de hemoglobinas variantes;
  • tipagem sanguínea.

Esses exames garantem que apenas bolsas aptas sejam disponibilizadas para transfusão, preservando a segurança de todo o sistema.

Uma bolsa pode beneficiar até quatro pacientes

Após a coleta, o sangue total passa pelo processo de fracionamento realizado no próprio Hemonúcleo.

Desse procedimento são obtidos até quatro hemocomponentes distintos, cada um destinado a diferentes necessidades clínicas:

  • Concentrado de hemácias, utilizado principalmente em pacientes que necessitam de reposição de glóbulos vermelhos e representa o hemocomponente de maior demanda.
  • Plasma fresco congelado, indicado especialmente para pacientes com deficiência dos fatores de coagulação, como pessoas com hemofilia.
  • Concentrado de plaquetas, amplamente utilizado em grandes sangramentos, acidentes e cirurgias cardíacas.
  • Crioprecipitado, empregado em transplantes e procedimentos cirúrgicos de grande porte.

Segundo Silvia, é justamente essa divisão que permite que uma única doação beneficie até quatro pacientes diferentes.

Atendimento ao doador continua após a coleta

Após a doação, o voluntário permanece por alguns minutos na unidade para reidratação e alimentação. Além do lanche oferecido pelo Hemonúcleo, esse momento também é utilizado para acompanhar a recuperação imediata do doador e incentivar seu retorno em futuras campanhas.

A coordenadora lembrou ainda os intervalos mínimos entre as doações:

  • homens podem doar a cada 60 dias, totalizando até quatro doações por ano;
  • mulheres podem doar a cada 90 dias, podendo realizar até três doações anuais.

Hemonúcleo atende toda a 7ª Regional de Saúde

Depois de processados, os hemocomponentes são distribuídos conforme critérios técnicos relacionados à compatibilidade sanguínea e às necessidades clínicas dos pacientes. Embora esteja localizado em Pato Branco, o Hemonúcleo é responsável pelo atendimento de todos os municípios pertencentes à 7ª Regional de Saúde.

Durante o primeiro semestre de 2026, a unidade registrou 3.009 candidatos à doação de sangue.

Desse total:

  • 2.029 doadores eram moradores de Pato Branco, representando aproximadamente 65% de todas as doações realizadas;
  • também houve participação de doadores de diversos municípios da região;
  • cerca de 100 doadores vieram de Santa Catarina, especialmente do Oeste catarinense, região que mantém referência hospitalar em Pato Branco e utiliza os serviços de saúde locais.

Mais de 2,5 mil bolsas coletadas no semestre

Dos 3.009 candidatos cadastrados, 2.530 bolsas de sangue foram efetivamente coletadas, após a aplicação de todos os critérios técnicos que definem a aptidão dos doadores. Parte dos candidatos foi considerada inapta temporária ou definitivamente para a doação, conforme os protocolos de segurança.

Rede estadual garante equilíbrio dos estoques

Apesar de o Hemonúcleo ter coletado 2.530 bolsas, foram distribuídos 2.711 hemocomponentes durante o período. Silvia explicou que essa diferença foi suprida pelo sistema integrado da Hemorrede do Paraná.

Quando uma unidade apresenta redução de estoque, outras unidades estaduais fornecem os hemocomponentes necessários, garantindo o atendimento aos pacientes. No primeiro semestre, 181 bolsas de concentrado de hemácias utilizadas em Pato Branco foram enviadas principalmente pelos hemocentros de Francisco Beltrão, União da Vitória e Cascavel. Segundo a coordenadora, essa integração permite afirmar que não há falta de hemocomponentes na área de abrangência da 7ª Regional de Saúde, uma vez que as unidades atuam de forma cooperativa.

Policlínica concentra a maior demanda por hemocomponentes

Silvia informou que, em 2026, o Hospital San Michele passou a integrar oficialmente a rede de hospitais abastecidos pelo Hemonúcleo, elevando para dez o número de instituições atendidas. Entre todas elas, a Policlínica de Pato Branco concentra aproximadamente metade da demanda por hemocomponentes, reflexo do número de leitos, do volume de procedimentos realizados e do perfil assistencial da instituição. Na sequência aparecem o Hospital São Lucas, também em Pato Branco, além dos hospitais de Palmas e do Hospital São Rafael, em Chopinzinho.

Cooperação entre unidades beneficia toda a Hemorrede

Além de receber apoio de outros hemocentros quando necessário, o Hemonúcleo de Pato Branco também contribuiu com o abastecimento da rede estadual. No primeiro semestre, 140 bolsas de sangue foram encaminhadas para outras unidades da Hemorrede, reforçando o modelo de cooperação existente entre os hemocentros do Paraná e permitindo que diferentes regiões sejam atendidas conforme suas necessidades.

Distribuição de bolsas fortalece atendimento hospitalar

Ao concluir a exposição, a representante do Hemonúcleo destacou que a unidade mantém um sistema permanente de cooperação com toda a Hemorrede do Paraná. Sempre que necessário, bolsas de sangue são remanejadas entre as unidades para atender à demanda dos hospitais em diferentes regiões do Estado. Somente no primeiro semestre, o Hemonúcleo de Pato Branco cedeu 140 bolsas de concentrado de hemácias para outras unidades da rede estadual. Somadas às demais distribuições realizadas no período, foram cerca de 2.700 bolsas destinadas aos hospitais, contribuindo diretamente para o atendimento de pacientes e para a manutenção dos estoques necessários aos serviços de saúde. Segundo a apresentação, esse trabalho integrado permite que os hemocentros atuem de forma colaborativa, garantindo que o sangue coletado possa beneficiar pacientes independentemente da região onde estejam sendo atendidos.

Convite à população para ampliar o número de doadores

Na reta final da apresentação, foram divulgados os canais de contato do Hemonúcleo e reforçado o convite para que a população de Pato Branco participe das campanhas de doação de sangue. A representante incentivou especialmente as pessoas que ainda nunca realizaram uma doação, destacando que o Hemonúcleo mantém um trabalho contínuo de captação de novos doadores para assegurar o abastecimento dos estoques. O convite também foi estendido aos vereadores presentes na sessão. Ela ressaltou que, assim como os parlamentares já contribuem diariamente com a comunidade por meio de sua atuação pública, também podem fazer a diferença na vida de outras pessoas por meio de uma doação de sangue quando conseguirem conciliar esse compromisso com suas agendas.

Doação de sangue salva vidas

Encerrando a apresentação, foi enfatizado o caráter solidário e humano da doação de sangue. A representante destacou que doar é um gesto de grande significado para quem participa desse ato voluntário, proporcionando a satisfação de contribuir diretamente para a recuperação e o tratamento de pacientes, mesmo sem conhecer quem será beneficiado. A mensagem final reforçou que cada bolsa coletada representa uma oportunidade de salvar vidas e fortalecer toda a rede pública de saúde, motivo pelo qual o Hemonúcleo de Pato Branco segue mobilizando a comunidade para ampliar continuamente o número de doadores.

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