O sol é sinônimo de alegria, energia e bem-estar — mas também exige atenção redobrada com a pele. No verão, quando os índices de radiação ultravioleta (UV) atingem níveis mais elevados, a fotoproteção torna-se essencial para prevenir queimaduras, manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele. Embora amplamente difundido, o uso do protetor solar ainda está longe do ideal. Pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revela que cerca de 60% das pessoas não reaplicam o produto ao longo do dia, e quase metade utiliza quantidades menores do que o necessário para atingir a proteção indicada no rótulo.
Para a médica dermatologista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dra. Camila Dezanetti, o erro mais frequente é acreditar que a aplicação pela manhã seja suficiente para todo o dia. “O protetor solar não funciona como um escudo permanente. Ele se degrada com o tempo, com o suor, a água e o atrito. O ideal é reaplicá-lo a cada duas ou três horas — e sempre após mergulhos, transpiração intensa ou uso de toalhas e roupas que removem o produto da pele”, explica a médica.
A matemática da proteção solar
O fator de proteção solar (FPS) indica quanto tempo a pele pode permanecer exposta ao sol sem se queimar, em comparação à pele desprotegida. No entanto, segundo a especialista, esse número pode ser enganoso quando o produto não é aplicado corretamente. “A maioria das pessoas utiliza apenas um terço da quantidade recomendada. Isso reduz drasticamente o FPS real. Um protetor FPS 50, quando aplicado em pouca quantidade, pode oferecer uma proteção próxima de FPS 15 ou até menos”, comenta a médica dermatologista.
A recomendação técnica é de aproximadamente 2 mg por centímetro quadrado de pele — o que corresponde, na prática, a uma colher de chá para o rosto e cerca de 30 ml (ou um copinho de shot) para o corpo inteiro.
Os deslizes mais comuns
Além da quantidade insuficiente e da falta de reaplicação, outros hábitos comprometem a eficácia da fotoproteção. Entre os erros mais frequentes estão:
- Substituir o protetor solar por maquiagem com FPS, que raramente garante cobertura adequada;
- Esquecer áreas sensíveis, como orelhas, nuca, pés, lábios e dorso das mãos;
- Utilizar o mesmo produto no rosto e no corpo, favorecendo oleosidade e acne;
- Confiar excessivamente em protetores “resistentes à água” sem reaplicar após o banho de mar ou piscina;
- Armazenar o produto sob calor intenso, o que degrada seus filtros e reduz a eficácia.
De acordo com a Dra. Camila, protetor solar não é tudo igual. “Existem formulações específicas para cada tipo de pele — oleosa, seca, sensível, com tendência à acne ou às manchas. Escolher o produto certo é tão importante quanto aplicá-lo corretamente”, reforça a dermatologista.
Proteção além do frasco
A fotoproteção não depende apenas de cosméticos. As barreiras físicas são aliadas indispensáveis — e frequentemente negligenciadas. Chapéus de aba larga, óculos escuros com filtro UV, roupas com proteção solar e guarda-sóis potencializam a segurança da pele, sobretudo em ambientes abertos e nos horários de maior radiação. “Nenhum protetor solar bloqueia 100% da radiação. A combinação entre proteção química e física é o que realmente mantém a pele saudável a longo prazo”, destaca a Dra. Camila.
Outro ponto de atenção é o horário de exposição. Entre 10h e 16h, os raios UVA e UVB incidem com maior intensidade. Mesmo em dias nublados, até 80% da radiação atravessa as nuvens. Além disso, a luz visível emitida por telas e iluminação artificial também contribui para manchas e envelhecimento precoce.
A fotoproteção como hábito de vida
Mais do que uma questão estética, o uso diário do protetor solar é uma medida fundamental de prevenção em saúde pública. O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil, correspondendo a cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados. “Cuidar da pele é cuidar de si. O protetor solar deve fazer parte da rotina com a mesma naturalidade de escovar os dentes. A proteção diária garante não apenas uma pele bonita hoje, mas uma pele saudável e segura no futuro”, conclui a Dra. Camila Dezanetti, médica dermatologista e docente da Afya Centro Universitário de Pato Branco.

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