A decisão de trabalhar fora do Brasil já esteve associada, para muitos médicos, a objetivos bastante concretos: ampliar a renda, fazer especialização e encontrar melhores condições para exercer a profissão. Nos últimos anos, porém, um outro aspecto passou a pesar nessa escolha. Mais do que uma oportunidade de carreira, a mudança para a Itália tem sido vista como uma forma de reorganizar a vida. O interesse pelo país combina fatores profissionais e pessoais. De um lado, está a possibilidade de atuar em um sistema de saúde consolidado e de seguir a carreira na Europa. De outro, entram elementos menos mensuráveis, mas frequentemente citados por quem considera a mudança: segurança, estabilidade, mobilidade e uma rotina em que o trabalho deixa de ocupar sozinho o centro do cotidiano.
Segundo Gabriela Rotili, médica brasileira que atua na Itália desde 2021 e fundadora da DNN Learning, empresa que orienta profissionais no processo de reconhecimento do diploma no país, muitos médicos começam a pesquisar sobre validação e registro profissional com foco na carreira, mas passam a considerar outros fatores ao longo do processo. “A maioria inicia a busca pensando em trabalho e especialização, mas percebe que a mudança envolve também uma escolha de estilo de vida. A Itália oferece segurança, acesso à cultura e uma rotina com mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, afirma.
No Brasil, a prática da medicina costuma estar associada a jornadas extensas, plantões consecutivos e vínculos simultâneos em diferentes instituições. Para parte desses profissionais, a possibilidade de viver em um ambiente mais previsível e com maior sensação de segurança tornou-se um componente importante na decisão de deixar o país. Entre os aspectos mais valorizados estão a facilidade para circular por outras cidades e países europeus, o contato cotidiano com patrimônio histórico e cultural e a perspectiva de dedicar mais tempo à família e ao lazer.
A localização da Itália também contribui para esse apelo. Com uma rede ferroviária abrangente e companhias aéreas de baixo custo, médicos que se estabelecem no país passam a ter acesso relativamente simples a destinos como França, Suíça, Alemanha e Espanha Para aqueles que planejam permanecer no exterior no longo prazo, especialmente os que têm filhos, fatores como estabilidade e previsibilidade tendem a ganhar importância. A mudança deixa de ser tratada apenas como um passo profissional e passa a integrar um projeto mais amplo de vida.
“A decisão geralmente começa pela profissão, mas muitos escolhem ficar porque encontram um cotidiano mais compatível com seus objetivos pessoais e familiares. Não se trata apenas de trabalhar em outro país. Trata-se de escolher um lugar que oferece segurança, qualidade de vida e oportunidades que vão além da carreira”, afirma Gabriela.
Da assessoria

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