A olivicultura ganha força no Paraná e o Sudoeste desponta como uma das regiões mais promissoras para o cultivo de oliveiras no Estado. Um boletim técnico publicado pelo IDR-Paraná identificou 69 municípios paranaenses com baixo risco climático para a atividade, entre eles Pato Branco, consolidando o potencial regional para a produção de azeites e derivados de alta qualidade. O estudo, intitulado “Riscos climáticos para a olivicultura no Estado do Paraná”, foi desenvolvido pelo instituto em parceria com pesquisadores da Embrapa e reúne mais de 30 anos de dados meteorológicos do IDR-Paraná, Simepar e Inmet. A publicação oferece orientações técnicas para reduzir riscos e ampliar as chances de sucesso de pomares comerciais.
No Sudoeste, cidades como Pato Branco, além de municípios vizinhos da região Sul e Centro-Sul do Estado, apresentam condições favoráveis graças à altitude elevada e ao número adequado de horas de frio durante o outono e o inverno — fator essencial para o desenvolvimento da oliveira. Segundo a engenheira-agrônoma e extensionista do IDR-Paraná, Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, uma das autoras do boletim, o sucesso da produção depende da relação entre a cultivar escolhida e as condições climáticas locais. “O produtor precisa conhecer os riscos antes de investir”, ressalta.
A oliveira necessita de um período de frio para entrar em dormência, estimular a brotação e garantir uma floração adequada. Sem esse processo, a produtividade pode ser comprometida. Por isso, o estudo analisou variáveis como acúmulo de horas de frio, risco de geadas, excesso de chuva durante o florescimento, estiagem na maturação dos frutos e níveis de umidade relativa do ar. Entre as cultivares que vêm apresentando melhor desempenho comercial no Paraná estão Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo, consideradas variedades com menor exigência de frio e maior adaptação às condições climáticas do Estado.
Para a diretora de Pesquisa e Inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, o trabalho representa um avanço importante para consolidar a cadeia produtiva da oliva no Paraná. Segundo ela, o boletim oferece mais segurança aos produtores e contribui para decisões mais qualificadas de investimento.
O levantamento também alerta para cuidados dentro das propriedades rurais. Áreas baixas, sujeitas ao acúmulo de ar frio e excesso de umidade, podem aumentar o risco de geadas e doenças, mesmo em municípios considerados aptos ao cultivo. Outra recomendação é a intercalação de cultivares para favorecer a polinização cruzada e elevar a produtividade dos pomares. Apesar dos desafios impostos pelo clima subtropical, especialmente o excesso de chuva durante o florescimento, a olivicultura segue em expansão no Sul e Sudeste do Brasil. O avanço da atividade abre novas oportunidades para o agronegócio do Sudoeste paranaense, agregando valor à produção rural e fortalecendo a presença regional no mercado de azeites especiais.

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