Câmpus Pato Branco

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Pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto Agronômico do Paraná / Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IAPAR/IDR), de Pato Branco, desenvolveram um sistema para o monitoramento do comportamento ingestivo de bovinos, visando a obtenção de parâmetros relevantes à nutrição e ao bem-estar animal. Com isso, é possível detectar precocemente distúrbios alimentares e doenças, assim como aprimorar as técnicas de manejo para maximizar a produção animal.

O projeto de pesquisa, iniciado em 2014, foi desenvolvido a partir dos trabalhos de mestrado de Daniel Prado de Campos e de Otavio Augusto Gomes, orientados pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGEE) e do departamento acadêmico de Engenharia Elétrica (DAELE), da UTFPR, Campus Pato Branco, Fábio Luiz Bertotti. Além do próprio sistema de monitoramento, foram publicados artigos científicos em revistas científicas qualificadas e uma patente de invenção foi depositada.

O sistema é formado por unidades de monitoramento que são instaladas nos animais, formando uma rede de sensores. Cada unidade de monitoramento obtém sinais de eletromiografia de superfície (sEMG) do músculo masseter (responsável pelos movimentos mastigatórios) a partir de eletrodos, informações de sensores inerciais (posição da cabeça do animal) e de um sensor de pressão (atividade de mastigação). Trata-se de uma fusão de sensores, cujas informações são processadas e transmitidas para uma estação base, que contém um servidor de dados conectado à internet.

O professor Fábio Luiz Bertotti, coordenador do projeto na UTFPR-PB, comenta que foram utilizadas soluções tecnológicas proeminentes e disponíveis no mercado, envolvendo circuitos integrados para instrumentação de sinais biológicos, microprocessadores de alto desempenho e baixo consumo de energia, dispositivos para comunicação de dados em longas distâncias, entre outros. “Com a aplicação de técnicas de inteligência artificial é possível estimar a quantidade e até tipo de alimento ingerido”, informou Bertotti.

Daniel Campos continuou a pesquisa no seu trabalho de doutorado e, atualmente, é professor da UTFPR, no Campus Apucarana. “Em pouco tempo acreditamos que esses dados estarão disponíveis nos smartphones dos produtores e pesquisadores”, destaca Campos.

Segundo o médico-veterinário André Luís Finkler da Silveira, pesquisador do IDR-Paraná e um dos coordenadores do projeto, “o sistema desenvolvido representa um grande avanço na nutrição animal em pastejo, pois seríamos capazes de saber em tempo real a quantidade de alimento que o animal está adquirindo no pasto”. O pesquisador do IDR-Paraná, João Ari Gualberto Hill, revela que “com essas tecnologias será possível obter alimentos seguros produzidos por animais saudáveis que vivem em um ambiente adequado para expressarem o seu comportamento natural”.

Para o professor Fábio, “com o desenvolvimento do projeto, novas ideias e frentes de pesquisa surgiram, abrindo oportunidades para o desenvolvimento de novos trabalhos de mestrado”. O projeto, ainda, envolve a busca de parcerias para a produção comercial e disseminação do invento, uma vez que a inovação tem como público-alvo os produtores rurais.

O desenvolvimento da pesquisa contou com recursos financeiros do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de recursos próprios do IDR-Paraná e UTFPR. A patente da invenção foi recentemente depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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