Encontro conecta desafios do agro regional a soluções de inovação e tecnologia, em Pato Branco

O Sebrae/PR e o Sistema Regional de Inovação do Sudoeste do Paraná (SRI) promoveram, na terça-feira, 27, em Pato Branco, no sudoeste do Paraná, um encontro voltado à identificação de desafios e à busca por soluções inovadoras para o agronegócio regional. O levantamento apresentado contemplou quatro cadeias produtivas estratégicas para a economia da região: apicultura, frutas, legumes e verduras (FLV), leite e queijo e vitivinicultura, com o objetivo de compreender as demandas e aproximar os produtores de empresas que desenvolvem tecnologias aplicáveis à realidade do campo.

Ao todo, foram realizadas 20 entrevistas que somaram mais de 35 horas de conversas com produtores rurais, lideranças, pesquisadores, técnicos, entre outros profissionais. De caráter qualitativo, o estudo reuniu percepções e experiências de diferentes atores das cadeias produtivas, contribuindo para aprofundar a compreensão dos desafios e das oportunidades identificadas.

De acordo com a consultora do Sebrae/PR, Alyne Chicocki, a pesquisa também evidencia a importância de aproximar os produtores do ecossistema de inovação existente na região. “Nosso objetivo não era apenas identificar os desafios da agricultura familiar, mas utilizar essa escuta para aproximar as necessidades dos produtores das soluções e competências que já existem na nossa região. Temos pequenas empresas, universidades e profissionais desenvolvendo inovação no Sudoeste, e queremos fortalecer essas conexões para que a tecnologia chegue ao campo de forma prática, acessível e contribua também para melhorar a qualidade de vida das famílias rurais”, destaca Alyne.

A iniciativa ainda busca desmistificar a ideia de que a inovação depende de soluções complexas ou de alto custo. Melhorias na gestão, ferramentas tecnológicas acessíveis e novas estratégias de comercialização podem ajudar os produtores e enfrentar problemas cotidianos, desde que estejam alinhadas as necessidades e as características de cada atividade. O evento contou também com uma programação que incluiu palestra sobre Agro 4.0.

Entre os desafios identificados estão a falta de mão de obra, as dificuldades de comercialização, a gestão dos custos de produção, o acesso à tecnologia, os impactos das condições climáticas e a sucessão familiar. Embora parte dos apontamentos já seja conhecida pelos setores, o levantamento reforça a necessidade de buscar alternativas que ajudem a melhorar a produtividade e a qualidade de vida no campo.

Inovação no campo começa com mudanças simples e trabalho coletivo

A inovação na agricultura familiar não depende necessariamente de grandes investimentos ou de máquinas de última geração. Essa foi uma das reflexões apresentadas por João Casagrande, consultor da Impactibility e engenheiro agrônomo, que apresentou ainda exemplos práticos de aplicação da inovação em pequenas propriedades. “Inovar também significa fazer de uma maneira diferente aquilo que já fazemos ou melhorar um processo que já existe. Não precisamos começar pensando na Ferrari que está lá na frente, podemos começar com um patinete, dando os primeiros passos em direção à evolução. O importante é encontrar soluções que contribuam para os três grandes desafios do produtor rural: produtividade, rentabilidade e sustentabilidade”, destaca João.

Ele ressaltou ainda a importância do trabalho coletivo e da abertura a novas ideias para modernizar a atividade rural e estimular a sucessão familiar. “O produtor não precisa trabalhar sozinho. É muito importante buscar apoio em instituições ligadas ao agro, além de aproximar os jovens dos ambientes de inovação. Quando produtores, pesquisadores, empresas e instituições trabalham juntos, conseguimos desenvolver soluções mais conectadas ao campo e com melhores resultados”, acrescenta João.

Da pesquisa a prática: inovação na agroindústria familiar

A produtora de queijo colonial, Franciele Rechembach Haselbauer, de Encantilado Queijaria, de Manfrinópolis, participou do encontro em busca de conhecimentos e alternativas que possam ser aplicados à realidade da sua propriedade.“Viemos buscar conhecimento para entender o cenário do agronegócio, identificar onde melhorar e quais caminhos seguir para o futuro. Estamos em um processo de reestruturação da nossa agroindústria e todo o planejamento está sendo feito com foco na tecnologia e na redução da dependência de mão de obra. Queremos olhar para a propriedade como uma empresa, utilizando dados para analisar números e tomar decisões mais assertivas”, completa Franciele.

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