Um projeto de extensão realizado pelo Campus Pato Branco vem mobilizando a alimentação escolar no município. Uma pesquisa realizada por alunos de graduação em Química e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos vem estudando as propriedades da planta ora-pro-nóbis. A dissertação de mestrado da aluna Cássia Regina Eidelwein, sob orientação das professoras Marina Leite Mitterer Daltoé e Tatiane Cadorin Oldoni, realizou um projeto em duas escolas da rede pública do município introduzindo o uso da farinha de ora-pro-nóbis em pães.
Com o título de “Introdução de alimentos à base de farinha de ora-pro-nóbis na alimentação escolar da rede pública de ensino da cidade de Pato Branco: Curso de educação alimentar e nutricional e testes sensoriais” o objetivo foi identificar o impacto da neofobia alimentar nos hábitos alimentares e preferências alimentares em crianças entre 4 e 12 anos, promover oficinas de educação alimentar e avaliar a aceitação e emoções de um pão adicionado de farinha de ora-pro-nóbis.
De acordo com os pesquisadores, a escolha da farinha deste alimento não convencional (Panc) foi feita por ela apresentar um alto teor proteico (cerca de 25%, considerado muito alto) e, além disso, por possuir uma qualidade de aminoácidos muito importante em sua composição. “Escolhemos um alimento que tivesse um elevado índice proteico e com qualidade”, explica a pesquisadora Marina Daltoé.
Nas escolas, a equipe consegui trabalhar com os aspectos da aceitação alimentar. “A farinha é verde, então, vai produzir um pão verde. Por isso, além de experimentarem um novo alimento, exploramos a questão da cor na aceitação das crianças e, com isso, estamos inserindo o alimento aos poucos no consumo cotidiano delas”, complementa a professora.
Até o momento o projeto já atendeu 900 crianças destas duas escolas. Segundo a equipe, a aceitação foi maior na escola que, além de receber o alimento, contou com um curso para as crianças. “Na escola que realizamos o curso, o número de crianças que desejaram provar foi muito maior. Isso demonstra que o medo do alimento novo, quando bem trabalhado e bem introduzido na alimentação, pode ser reduzido”, completa.
O projeto prevê expandir esta ação nas demais escolas da cidade e, por isso, conta com a parceria do Setor de Alimentação Escolar da Prefeitura de Pato Branco e da Empresa Proteios Nutrição Funcional. As pesquisas contam ainda com a participação da bolsista de extensão Marcela Janning Dos Santos.
Ora-pro-nóbis
O nome científico da ora-pro-nóbis é Pereskia aculeata. Por ela apresentar um alto teor de proteína, foi apelidada popularmente de “carne do pobre”. Pode ser consumida in natura ou como matéria-prima para a elaboração de farinha para ser utilizada como base para o preparo de bolos, tortas e pães. Entre os benefícios do seu consumo estão a prevenção da anemia, melhora do funcionamento do intestino, perda de peso, prevenção do envelhecimento precoce e diminuição do colesterol.

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