Terceiro setor atende cerca de 92 mil pessoas por ano e reforça papel estratégico em Pato Branco

A coordenadora do Núcleo do Terceiro Setor de Pato Branco (NTSPB), Claudia Mohr, participou da sessão da Câmara Municipal, a convite do vereador Joecir Bernardi, para apresentar o trabalho desenvolvido pelas entidades que integram o terceiro setor no município e demonstrar o impacto social dos atendimentos realizados. Ao iniciar sua apresentação, Claudia propôs uma reflexão aos vereadores e à comunidade: “Quanto custaria para Pato Branco se o terceiro setor parasse por apenas um dia?”

Segundo ela, o questionamento evidencia a importância das organizações da sociedade civil, que atuam como uma rede de proteção social, promoção da saúde, cidadania e atendimento à população, muitas vezes suprindo demandas onde o poder público não consegue atuar diretamente.

Núcleo reúne 14 entidades e fortalece atuação conjunta

Fundado em 2025, o Núcleo do Terceiro Setor de Pato Branco reúne atualmente 14 entidades do município. De acordo com Claudia Mohr, o grupo foi criado com o propósito de promover união, cooperação, capacitação e fortalecimento técnico das organizações, ampliando sua capacidade de atendimento à comunidade. Ela destacou ainda o apoio da Associação Empresarial de Pato Branco (ACEPB), que contribui para o fortalecimento institucional das entidades e para o desenvolvimento de ações voltadas ao terceiro setor.

Entidades atendem milhares de pessoas em diferentes áreas

Durante a apresentação, foram apresentados os principais números e atividades desenvolvidas por cada instituição integrante do núcleo.

O Remanso da Pedreira atende diariamente mais de 200 crianças, provenientes de mais de 12 bairros e 10 escolas. A entidade oferece cerca de 500 refeições por dia, realiza aproximadamente 50 atendimentos de saúde por semana, conta com 23 colaboradores e possui custo operacional mensal estimado em R$ 75 mil.

A associação Iguais nas Diferenças atende aproximadamente 50 crianças com deficiência, realizando mais de 528 atendimentos mensais. Entre seus serviços está a ecoterapia, cujo custo anual é estimado em R$ 199,6 mil, valor que ainda apresenta déficit financeiro.

A APAE de Pato Branco presta atendimento a cerca de 360 pessoas e suas famílias, por meio das escolas Carlos Almeida e Zilda Arns, além de desenvolver oficinas inclusivas em parceria com empresas, envolvendo mais de 30 alunos.

Já o Hospital Policlínica foi destacado como referência regional em média e alta complexidade. A instituição realiza aproximadamente 83% de seus atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atende os municípios da 7ª Regional de Saúde, abrangendo 22 municípios do Paraná e outros 11 de Santa Catarina. Em 2025, o hospital realizou cerca de 8,5 mil cirurgias e mantém aproximadamente 475 empregos diretos, além de outros 200 indiretos.

A Missão SOS Vida acolhe, em média, 65 pessoas por mês em regime de atendimento 24 horas, oferecendo serviços de reabilitação e oficinas. A entidade conta com 19 colaboradores e voluntários e possui custo mensal aproximado de R$ 128,8 mil.

A Casa de Apoio GAMA mantém 44 leitos destinados a pacientes com câncer e seus acompanhantes, oferecendo hospedagem, alimentação e transporte durante o tratamento.

Atendimento à infância, juventude e idosos

O Lar dos Idosos acolhe permanentemente 40 idosos em situação de vulnerabilidade social desde 1988. A instituição possui equipe composta por 25 colaboradores, fornece aproximadamente 11.700 refeições por mês, utiliza cerca de 7 mil fraldas geriátricas mensalmente e disponibiliza atendimento multidisciplinar aos residentes.

O Provopar desenvolve projetos voltados à capacitação profissional nas áreas de costura, marcenaria, beleza e coral, atendendo atualmente 25 pessoas, com foco nos bairros Planalto, São Pedro e São João. A entidade também mantém dois brechós sociais.

O Instituto Jojoca atende atualmente 120 crianças e 91 famílias no bairro São João, oferecendo atividades no contraturno escolar para crianças de 3 a 5 anos, além de oficinas e da Mercearia Solidária.

A Fundabem, com 56 anos de atuação em Pato Branco, atende aproximadamente 150 crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos em situação de vulnerabilidade social, promovendo fortalecimento de vínculos familiares, cidadania e desenvolvimento social.

O Instituto Plural oferece atividades de dança, capoeira, futsal e atendimento psicológico para cerca de 80 pessoas. Segundo a coordenadora, a instituição possui custo mensal aproximado de R$ 60 mil e não recebe recursos públicos.

O Instituto IAV, por sua vez, iniciará um novo projeto viabilizado por emenda impositiva, oferecendo avaliações neuropsicológicas e reabilitação aquática para 35 crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Saúde, assistência e qualificação profissional

A Fundação Sudoestina de Combate ao Câncer realiza aproximadamente 350 atendimentos mensais, oferecendo serviços de odontologia, psicologia, fisioterapia, além da doação de próteses e cadeiras de rodas. Já a Gerar atua na qualificação profissional de jovens por meio de programas como Jovem Aprendiz, Gerar Esquenta e oficinas de empregabilidade. Em dois anos de atuação em Pato Branco, a entidade já atendeu mais de 500 jovens.

Números demonstram impacto regional

Ao final da apresentação, Claudia Mohr reuniu indicadores que demonstram a dimensão do trabalho desenvolvido pelas entidades. Segundo os dados apresentados, as organizações alcançam aproximadamente 92 mil pessoas, realizando cerca de 90 mil atendimentos anuais. Também foi destacado que aproximadamente 86% dos atendimentos estão relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiando moradores de mais de 36 municípios.

As entidades também somam aproximadamente:

  • cerca de 8,5 mil cirurgias realizadas pelo Hospital Policlínica ao longo de 2025;
  • atendimento de 810 crianças e jovens por instituições como Remanso da Pedreira, APAE, Iguais nas Diferenças, Instituto Plural, Instituto Jojoca, Fundabem e Gerar;
  • aproximadamente 1.378 atendimentos mensais de terapias;
  • mais de 12.200 refeições fornecidas regularmente;
  • 44 leitos disponibilizados pela Casa de Apoio GAMA;
  • acolhimento permanente de 65 pessoas pela Missão SOS Vida.

Considerando todas as organizações integrantes do núcleo, o volume de atendimentos ultrapassa 263 mil registros mensais, evidenciando a relevância do terceiro setor para a assistência social, saúde, educação e desenvolvimento humano no município.

Reconhecimento ao trabalho das entidades

Encerrando sua participação, as representantes  prestou homenagem aos dirigentes, colaboradores e voluntários que atuam nas organizações sociais. Elas ressaltaram que, por trás de cada projeto e de cada atendimento, existem desafios permanentes, como a escassez de recursos, dificuldades financeiras e a necessidade constante de estabelecer novas parcerias para manter os serviços. Segundo elas, a capacidade de inovação e de superação tornou-se uma das principais características das entidades do terceiro setor. Ao concluir, afirmaram que as organizações ajudam a construir uma cidade mais humana, solidária e fortalecida, destacando que aqueles que escolhem dedicar parte de suas vidas ao atendimento das pessoas acabam transformando não apenas vidas individuais, mas toda a comunidade de Pato Branco.

RSS
Follow by Email
YouTube
YouTube